A manhã desta quinta-feira (10) na Câmara Municipal de Campo Grande marcou um episódio que pode ser lido como divisor de águas na relação entre o Partido Progressistas (PP) e a prefeita Adriane Lopes. Durante a sessão de eleição do novo presidente da Casa, o vereador Professor Riverton (PP) foi enfático ao se descolar da atual gestão e afirmar, com todas as letras, que “o Executivo é o Executivo, e o PP é o PP”. A fala, carregada de intenção política, ecoou como um recado claro: o partido já não caminha junto com a prefeita. E, talvez mais do que isso, está disposto a vocalizar esse afastamento.
Mais do que uma crítica pontual, Riverton deu voz ao que parece ser uma posição amadurecida dentro do partido e não falou apenas por si. Ao lembrar que “o PP é muito maior do que quem está à frente do Executivo”, o vereador pôs em xeque a legitimidade política da prefeita dentro da própria legenda que a elegeu, sugerindo que a paciência do Progressistas está no fim.
E os sinais não param por aí. O silêncio de Tereza Cristina, senadora e principal liderança estadual do partido, tem sido tão barulhento quanto a fala de Riverton. Há mais de 30 dias, Tereza não aparece publicamente ao lado da prefeita. E, ontem (9), em pleno Congresso Nacional, a senadora fez reunião política com à ex-deputada federal e candidata derrotada nas últimas eleições municipais, Rose Modesto. A cena, por si só, já representa uma sinalização: enquanto Tereza se aproxima de Rose, parece desembarcar de vez do governo Adriane. E faz bem. Com o cenário de crise e desgaste acumulado, qualquer aproximação com a atual gestão pode ser fatal eleitoralmente.
Na mesma sessão, Riverton e o vereador Marquinhos votaram contra mais uma medida impopular e tecnicamente questionável enviada pela prefeita à Câmara: a retirada do limitador do ISS sobre obras, aumentando a carga tributária para o setor da construção civil. Uma proposta encaminhada, sem debate público e com claros efeitos negativos para a atividade econômica da cidade erros jurídicos.
O colapso administrativo é visível: falta de médicos e medicamentos nas unidades de saúde, ruas esburacadas, obras paradas, crise fiscal à vista e, agora, a reedição da “Folha Secreta”, com salários inflados para cargos comissionados. O desgaste da prefeita é diário e tem se tornado insustentável. A cada semana, um novo escândalo emerge da Secretaria de Fazenda. A cada fala pública, mais um parlamentar da base se distancia.
Como alertaram hoje os vereadores Marquinhos e Riverton, a prefeita continua subestimando a inteligência da Câmara. Quando envia projetos deficientes tecnicamente e juridicamente. Parece que os vereadores estão se assessorando inclusive externamente para não serem enrolados.
A fala de Riverton não é um desabafo. É uma posição. Um recado com endereço certo. E mais do que tudo, é o indício de que o PP já não quer ser cúmplice do desgaste alheio. A prefeita Adriane Lopes, ao que tudo indica, começa a ficar sozinha. Politicamente isolada. E com um rombo administrativo que nem mesmo seus antigos aliados estão mais dispostos a tapar.
*Com informações Sonora Hammer





















